domingo, 23 de fevereiro de 2014

Reconstrução


                Ainda não era noite, e Thomas passava junto à multidão de carros. Muito aperto, um reboliço total. Todos imitavam o trabalho executado pelas das formigas por todo um ano.
  
Ao parar no sinal, por alguns instantes, pôde observar, de perto, uma família grande. Todavia, não era isso que atraia seus olhares e admiração. As três meninas junto do pai e da mãe que segurava o bebê rente ao peito. Passavam o tempo esperando sossegadamente pelo momento tão aguardado: o primeiro dia do ano seguinte. Sentados sobre um imenso lençol azul com flores esbranquiçadas, em frente ao portão de sua casa, riam e trocavam afetos, como se mais ninguém, além deles, estivesse olhando.
  
                Como se atreviam? Se em tempos como aqueles, permanecer atrás de muros não era garantia de segurança, o que se diria sobre estar fora dos resguardos da casa?!
  
                Por ser véspera de Ano Novo, criam eles em uma súbita mudança nas pessoas? Passariam elas apenas a sorrir? Deixariam algumas de roubar, matar? Juntar-se-iam para comungar da mesma felicidade?
  
                Thomas sentia vontade de fazer o mesmo, unir-se àquelas pessoas. Entretanto, para não parecer insano, conteve-se.
  
                Achava aquela família que tudo estava transformado? Ano Novo, vida nova? 
  
Sabia Thomas que o Novo deveria ser construído e que, subitamente, poucas são as mudanças positivas que podem afetar um indivíduo.
  
Reconstrução... 
  
É de vital importância o primeiro passo. Do contrário, nunca mais serão vistos (não apenas em frente ao portão de casa) lençóis, famílias e felicidade. Menos ainda, flores brancas.
  



 "Só há um tempo em que é fundamental despertar. Esse tempo é agora."
                                                                                                                     Buda
 

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domingo, 9 de fevereiro de 2014

Colorido dilema

              Faltavam apenas alguns dias para o baile, e Thomas precisava de um traje novo. O antigo era velho demais e não lhe servia mais. Como o tempo passa!
  
                Escolher roupas foi sempre uma missão penosa para o rapaz. Os novos estilos não agradavam seu gosto tradicional, conservador. Onde estavam as camisas simples e listradas, e as cintas de couro?
  
                Em dado momento, já sem esperanças, encontrou um modelo de camisa que lhe agradou. Não sendo tão moderno, nem tão ultrapassado, passou por suas exigências, sem tantos problemas.
  
                O tamanho era ideal, confortável. Entretanto, algo o incomodava. Cores, tão complicadas, por quê? O azul e o rosa eram de muito bom gosto, caíam bem. Porém, além do preço das peças, o controle soberano para não ceder às vontades impedia que Thomas comprasse as duas. Controle soberano... até demais.
  
                Aquela situação desconfortável de indecisão era desgastante e provocava raiva. Sentia-se arrependido de ter-se submetido àquilo. Ainda assim, era necessário fazer a escolha.
  
                O medo de arrepender-se sobrepujava tudo.
  
                Azul ou rosa? As cores não mais importavam muito naquele momento, por mais que fossem o “X” da questão. O temor da escolha durou alguns minutos. Opiniões diferentes foram dadas ao rapaz, na tentativa de retirá-lo daquele martírio autoinfligido.
  
                Esperou mais um dia para chegar à sua decisão. Thomas ouviu falas diferentes, gostos diferentes. Talvez, fora imprescindível para que a fizesse. Seguindo, também, a voz de seu coração, fez a escolha.
 
                Em situações que demandam ponderação, a contribuição de outras pessoas é valorosa, até mesmo necessária. Não obstante, a decisão é responsabilidade de quem a toma, junto de suas consequências. Toda resolução implica em uma renúncia.
  
Se a escolha de Thomas foi feliz? Quem sabe... Importa a ele; e a ele somente.
  








"Imaginação é mais importante do que conhecimento. Conhecimento é limitado. Imaginação abrange o mundo."
              Albert Einstein
 

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sábado, 8 de fevereiro de 2014

Segunda Temporada de Crônicas























Estamos de volta!

Boa leitura!

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