domingo, 16 de março de 2014

Gentil Pessegueiro

               Na janela de seu sobrado, estava Helena debruçada no parapeito, admirando o cenário, como de costume. Seus cabelos iam e vinham com o balanço do vento, que chacoalhava também as folhas das árvores, e derrubava aquelas que não mais se agarravam ao pecíolo com tanta força.
                A garota, imóvel, dividia-se entre a cama e a janela. Joelhos sobre o travesseiros, peito e braços na beira da janela. Era confortável.
                Adiante, via o frondoso Pessegueiro que há muito morava no jardim de seu vizinho. Seu tronco era espesso, seguro. Apoiava os longos galhos, os quais sustentavam o peso dos frutos carnosos.
                Contudo, Helena passou a focar-se em um acontecimento rotineiro, observado, anteriormente, com certa frequência.
                Um dos galhos era longo demais e atingia a janela de outra casa vizinha. Em dias de brisa forte como aquele, o galho arranhava o vidro, causando certo desconforto no residente.

                O homem, após períodos de tolerância, perdia a paciência e podava o longo braço do Pessegueiro. Golpes de fúria eram desferidos contra a árvore, por ele, na ausência de seu dono.

                Helena recordava-se das inúmeras vezes que havia se machucado, demasiadamente, na tentativa de colher alguns daqueles pêssegos. Eram deliciosos, e não os via todos os dias em sua mesa, muito menos sentia-os o gosto.

                Sensações de inconformismo e revolta transitavam por seu coração, levando embora a brandura, ao deparar-se com tais cenas, que se tornavam comuns.

                Como seria aquilo possível? Alguém que recebia deliciosos frutos, levados até sua janela, de muito bom grado, pelos braços da Mãe Natureza, além de não os desfrutar, atentava contra sua fonte.

                Helena, em seu lugar, receberia tais benefícios de bom grado, e cuidaria do produtor como se fosse seu. Era triste ver aquele deplorável cenário. Desistiu de assisti-lo.

                Naquele momento, sentiu uma lágrima chorar de seus olhos até o queixo. Enxugou-a com as mãos e virou-se para seu quarto. Desejou chorar mais e mais, porém, conteve-se. Ainda havia de entender que, por enquanto, nem todos são capazes de gozar das boas oportunidades. Por enquanto...
   



"Eu vos digo, em verdade, que são chegados os tempos em que todas as coisas hão de ser restabelecidas no seu verdadeiro sentido, para dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos." 
                                                                                                                         O Espírito de Verdade

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domingo, 9 de março de 2014

Crescer

Ah, como é bonito! Sentir-se maior, mais sabido! Deveras, transição maravilhosa! Dói, todavia.
  
De maneira explicável, porém cruel, machuca, aflige. Nada é tão novo, pois fora observado pelos grandes de antes, os quais, agora, estão cada vez mais ao nosso lado e, ao mesmo tempo, cada vez menos. O não tão novo é, a partir de então, responsabilidade. O que era observado, torna-se, enfim, uma obrigação. Acaba-se a escola, pessoas se vão.
  
Surge, então, todo um reboliço incrível e discutivelmente alvoroçado acerca de um número que simboliza toda essa passagem, cujo foco se dá aos prazeres terrenos. Tais esses que trazem consigo -consequências, as quais, quiçá, “semi-adultos” não são capazes de arcar sozinhos.
  
Há sempre momentos de transição. Os atuais serão sempre mais sofridos que os já passados ou futuros. Tudo parece desmoronar-se na mente. Tênue estado.
  
Embora não há de ser assim.
  
Ruma-se para tempos em que mudanças já terão ocorrido. Passam, despercebidas, crises que hoje parecem insolúveis! Porque o objetivo será outro. O que hoje nos faz sofrer, amanhã há de enobrecer.



(...) "Não manches teu caminho.
        Serve sempre.
        Trabalha na extensão do bem." (...)
  

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segunda-feira, 3 de março de 2014

Olhando para trás


É tão interessante como as coisas passam.
  
            Olhamos para trás e nos deparamos com uma realidade em que tudo parecia tão intenso e difícil. Hoje, lidaríamos diferente, com certeza. Por quê?
  
            Aprendemos com aquilo que passou. Por isso, somos mais fortes hoje. Tornamo-nos mais maduros, naturalmente.
  
Olhando para trás, tudo era tão fácil! Desse modo, temos a certeza de o que passamos hoje será, um dia, descomplicado também. É libertador.
  
Como é bom ter a lucidez para entender que, mesmo quando algo é omitido de nós, há um porquê, o qual, muitas vezes, nos salva e nos mantém longe daquilo que é tóxico e nos atrai.
  
Como é bom poder fechar um ciclo sem depender que algo externo a nós aconteça. Isso é independência, madurez.






Sempre existem duas chaves.

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